Aelle ap Lloegyr.

Esse é meu primeiro post em blog, talvez não fique legal as formatações texto e a historia ficou bem grande, mas espero que curtam!

Meu nome é Aelle, Aelle ap Lloegyr, mas quando nasci me chamavam de Aelle ap Pergyr, “ap” para os estrangeiros, seria como “filho de” e diferente do mundo estrangeiro, de onde venho somos filhos da terra na qual nascemos e da qual estamos destinados governar, não simplesmente filhos de um pai e/ou uma mãe.

Pode parecer totalmente estranho – pra mim ainda é – mas é verdade, lembro-me do meu primeiro dia de vida, é lógico que não nítidamente, porém quando saí de minha mãe, havia um forte cheiro de sangue, não de sangue fresco, mas sim de uma carnificina e o barulho da canção da espada vinda de todos os lados. Também havia um som na ocasião muito sereno, dizendo palavras que até hoje eu desconheço, vindas de um homem chamado Urmega. Após Urmega terminar o que hoje eu acredito que foi um ritual, só me lembro dos meus anos pouco antes de virar adulto.

Aelle ap Pergyr

Era uma manhã em que os nepia – nepia significava aqueles que não tinham direito a um sobrenome, na verdade eram os fracos povos que já habitavam Pergyr antes dos reis bárbaros virem para Pergyr – que serviam meu pai, Aeric ap Pergyr, mais conhecido como “Aeric, O Matador do Urso de Pergyr”, estavam cuidando dos preparativos da grande festa para celebrar as novidades da guerra.

Eu tinha apenas 12 primaveras de vida nesta época, prestes a formar 13, vi grupos intermináveis de guerreiros adentrando o castelo de meu pai, – bem, o povo de Pergyr chamavam aquilo de castelo, mas comparado aos castelos existentes no mundo estrangerio, os castelos de Pergyr nada mais eram do que uma grande paliçada de estacas e barro e com grandes tendas dentro, o que contava mesmo para as defesas, eram os selvagens guerreiros que lá habitavam – homens sob o comando de meus irmãos mais velhos.

O primeiro deles que vi, foi Alwuf, O Touro. Alwuf era um dos homens mais burros que já existiu tanto em Pergyr, como no mundo estrangeiro, mas sua habilidade com seu porrete de dois metros, o tornava um dos bárbaros mais temidos em toda a Pergyr e foi por isso que meu pai lhe deu tropas e o cargo de protetor da fronteira Mais Baixa. Na verdade, Alwuf não seria capaz de defender a fronteira mais sangrenta dos domínios de meu pai com sua inteligecia, mas meu pai sabia que lá precisava de um guerreiro feroz no comando para que o exército lutasse com empenho, então mandou Urmega para ser o estrategista. Urmega era o xamã mais confiável de meu pai, mas a história dele fica pra depois.

Quando Alwuf me viu, a primeira coisa que fez, foi me dar um cascudo(como o habitual) e com sua voz grossa de boi, mandou-me chamar os cavalariços para cuidar dos cavalos de sua tropa. Ele era rude, mas de todos os irmãos, era o que eu mais gostava.

Em seguida, foram chegando meus outros irmãos: Aefel, Aeton, Apargy, Aster, Algurm, Aethred, Alfar, Aersir, Away de Petropolis, Allwin, Adred, Alcaçus, Almar, Arpel, Artyr, Aegon e Azel. No total, meu pai teve 20 filhos legítimos, onde 17 deles eram comandantes de guerra ou reis menores e apenas eu e os gêmeos Arnon e Argon não haviamos alcançado a idade adulta até então.

Quando chegou a noite, todas as tropas já haviam se instalado em nosso castelo e a primeira celebração começou. Bardos, malabaristas de fogo, urso polar dançante e até guerreiros que bebiam de mais e saiam na mão – em uma celebração de guerra era apenas permitido que os senhores empunhassem armas, pois até mesmo com colheres o nosso povo se matava – intertinham o povo.

No meio da festa, Urmega interrompe toda a barulheira erguendo seu cajado e todos prestam atenção nele, pois além de falar como voz de meu pai, ele era o xamã mais temido de Pergyr. Haviam boatos de que os guerreiros inimigos quando queriam falar sobre ele, diziam o nome baixo para não correr o risco do próprio Urmega ouvir.

– Guerreiros dos quatro reis bárbaros!- gritou ele – Esta é uma noite que tem cheiro de sangue, cheiro de metal e cheiro de carnificina! – após uma pausa que serviu para algum bêbado do grande salão soluçar, ele prosseguiu – Não temam, pois o metal será o nosso e o sangue e carnificina serão de nossos inimigos! – houve então vários urros de triunfo pelo salão e ele esperou que cessassem para prosseguir – Conversei com os grandiosos Deuses da Guerra, Garagos, O Selvagem e Tempus, O Estrategista no monte onde moro e eles me pediram para lembrar a vocês a história de nosso povo e o que está reservado para nossos inimigos!

O silêncio pesou sobre o grande salão e Urmega continuou.”A centenas de anos atrás, Pergyr foi o campo de batalha da luta entre Garagos e Tempus, essa foi uma das batalhas mais sangrenta entre os deuses, afinal, ambos eram deuses da guerra. No final disso, Tempus utilizou da fúria de Garagos para vencer o mesmo. Porém do sangue jorrado por ambos os deuses, nasceram os Quatro Reis Bárbaros, homens que desde o início batalhavam entre si por motivos desde roubar a bebida alheia a posses de terras. Estes homens batalhavam entre si por paixão pela batalha. Mas das batalhas foram formando sentimentos neles que a guerra desperta no coração dos homens, tais como ira, fúria cobiça, ódio, paixão, entre outros, que os Quatro Reis Bárbaros foram se distanciando uns dos outros, formando exércitos com os povos já existente em Pergyr – os népias – e guerreando uns contra os outros. No final Ygar matou Ruvar, Mok morreu por conta de uma praga, Aef matou Ygar e logo em seguida morreu de velhice. Porém o caos de Pergyr começou aí, pois os descendentes dos Reis Bárbaros começaram a guerrear entre si, fragmentando ainda mais os exércitos Bem meus caros, esta é uma história que a grande maioria já sabe, mas o que não sabem está por vir. Como sabem, Aeric é o único Rei Barbaro vivo, descendente de Aef, pois todos seus irmãos morreram. E como a história diz, Aef foi o ultimo Rei Barbaro vivo, portanto, o verdadeiro Rei Barbaro de Pergyr. Ontem os deuses da guerra, me disseram em um sonho que este era o sinal de que seremos nós a governar essas terras”. Após uma grande comemoração no grande salão, Urmega levantou o cajado novamente e o silencio caiu. “Não comemorem seus imbecis! O que estou oferecendo a vocês é a morte e nada mais além disso, a única coisa que ficará depois de suas malditas mortes, serão seus malditos nomes!”.

O silêncio pairou no grande salão e após um grande momento de silêncio, Urmega olhou para Alwuf que estava comendo uma grande coxa de lobo e como um gesto – para mim, claramente combinado – Alwuf se levanto da cadeira e deu um enorme grito e nisso seguiram-se outros até que o grande salão se encheu de gritos de aprovação. Este ultimo grito, Urmega deixou que se calasse com o tempo e quando somente um bebado estava gritando, ele levantou seu cajado e prosseguiu. “Como sabem, é nas celebrações que nomeamos os novos bárbaros comandantes e também sabem que só há 3 herdeiros do sangue bárbaro que ainda não foram nomeados”. Neste momentos eu entrei em extase, afinal, iria finalmente virar um bárbaro, poder usar todos os meus treinamentos e quem sabe virar um guerreiro famoso como Athred, Punho de Ferro ou como meu pai, Aeric, O Matador do Urso de Pergyr.”Estou aqui expressando a decisão de nosso Rei e esta decisão é que os gêmeos Arnon e Argon me substituam como estrategistas da fronteira Mais Baixa”. Era visível a raiva de ambos, afinal, o melhor título que um herdeiro de Rei Bárbaro pode ter, é ser um rei menor ou bárbaro comandante, um estrategista ficava logo abaixo deles, mas eu fiquei feliz, pois nunca gostei de ambos.”Pois como sabem, devo iniciar minha travessia xamã pelo centro de Pergyr, não que eu deva satisfação a um bando de miseráveis maltrapilhos que vocês são, mas continuando, o que era mesmo?”. Eu estava impaciente no meu banco, isso era visível, mas esperei o xamã terminar de falar.”Malditos! Vocês desviaram o que eu tinha pra falar, só não amaldiçoo suas almas pois… Ah! Me lembrei, o ultimo filho de Aeric… Aelle, seu pai o nomeia ajudante de seu escudeiro, agora preciso ir atrás de algumas coisas para minha viagem, tchau!”. E com uma fumaça, Urmega se foi e levou meu sonho de ser um bárbaro.

Na mesma noite, após ficar bêbado, irritadiço e com sono, vou pra minha barraca, então uma voz na escuridão diz:
– Por quê essa cara amarrada serviçal?
Quando aperto os olhos pra enchergar melhor, percebo que é Urmega, então de imadiato respondo
– Porquê um idiota com um cajado que se diz sábio me tornou um serviçal.
– Ora! Não teme que eu amaldiçoe sua alma por essa blasfemia? – disse ele em tom ameaçador.
– Os deuses aos quais eu acredito, são os da guerra e eu não acredito que um velho magricela como você, possa me fazer algum mau, pois nas guerras precisa-se de habilidade e força.
– Hahaha, em partes você está certo, mas é necessário também a inteligência para se vencer guerras, fato é que Tempus venceu Garagos.
Refleti sobre isso e vi que não havia como contestar isso, então ele continuou.
– Vocês brutamontes – eu já era alto e robusto para minha idade – são mesmo burros, não vê o que é óbvio? – como eu não disse nada, ele prosseguiu – Aaah, pelas bolas de Garagos! Por quê eu tento dialogar com tipo como este? Pois bem, serei direto, seu pai lhe tornou seu “serviçal” por conselho meu sim, porém é para que aprendesse de perto com ele, virasse seu escudeiro e algum dia se torna-se rei.
Eu fiquei pasmo com isso, afinal, era algo um pouco obvio, então quando me recuperei, Urmega havia sumido.

Aelle ap Lloegyr

As primaveras foram passando minhas espectativas foram almentando, aprendi a manejar o machado nos tempos livres, mas mesmo assim servia ao escudeiro de meu pai, um rapaz pouco mais velho do que eu, nascido nepia e não tinha porte de guerreiro, seu nome era Vence. Eu nunca entendi porque meu pai usava Vence como escudeiro. Vence era um rapaz muito engraçado, cheio de espinha e muito magro e isso não fazia dele um escudeiro, muito menos um guerreiro, mas depois de muitas vezes perguntando o “por quê”, meu pai me disse simplesmente que foi Urmega que recomendou. Eu passei a gostar do maldito Vence com o tempo, não o via como um rival como nos primeiros dias, ele tinha dom de alegrar as multidões com historias que achava eu mentirosas, mas muito engraçadas.

Passado um tempo, em uma batalha Vence morreu com uma machadada na cabeça, eu sinceramente fiquei triste por ele, ela era como um irmão pra mim – não que fosse difícil, pois com excessão de Alwuf, todos os outros irmãos me tratavam mau, inclusive uns contra os outros – e mesmo assim foi um dia esperançoso, afinal, eu seria o escudeiro de meu pai. Minha esperança logo acabou, pois no dia seguinte de queimarmos Vence, apareceu um outro rapaz magricela, do qual não me lembro o nome, dizendo-se enviado de Urmega para ocupar a vaga de escudeiro. Este rapaz durou muito pouco, estávamos marchando nesta epoca e já na batalha seguinte ele morreu com uma flecha cravada no braço. Eu sempre achei flechas coisa de covarde, assim como magias e tudo o que não seja brandir uma arma corpo a corpo contra um inimigo usando o mesmo. Enfim, nessa epoca eu estava aflito, meu pai não me deixava participar das batalhas, dizia ele que eu tinha que ficar no acampamento e organizar um pequeno festim para quando ele voltasse com seus guerreiros, os quais me tratavam como um nepia servo, principalmente um chamado Huygar. Huygar era um homem alto, de barba e cabelos ruivos e espessos, era um dos que mais bebiam durante as festas e dos primeiros a correr para o saque e estupro depois das vitorias, ele era de fato um bom guerreiro, mas eu sabia que era melhor do que ele, pois nessa epoca a minha frustração era tão grande pelo cargo que ocupava, que todos os dias treinava com o machado. Eu já era capaz de cortar uma arvore grande com apenas uma machadada, sem contar que para a maioria dos bárbaros, eu era inteligente, então certa vez, eu como tolo e jovem que era, decidi desafiar Huygar para que meu pai visse o quão bom eu era.

Era uma noite de festa pós batalha, eu sabia que Huygar havia se enfraquecido na batalha e depois entre as pernas de uma mulher capturada, esperei ele beber um pouco e então simplesmente apareci na frente dele com uma bandeja de cerveja, eu sabia qual ia ser a reação disso:
– Ora ora, a mocinha serviçal está ficando mais eficiente a cada dia!-disse ele enquanto seus guerreiros mais chegados riam disso, então continuou – passe uma cerveja para Huygar agora, mocinha!
Seguiram-se mais gargalhadas, Huygar olhou para seus guerreiros rindo com eles e quando se virou para mim de novo, uma bandeja com um monte de cerveja bateu contra seu rosto… Bom, ele era um bárbaro conhecido, tinha um nome a defender, então com um corte sangrando em seu nariz, ele derrubou a mesa que estava entre eu e ele e partiu para cima de mim como um animal selvagem. Como eu era agil pela minha idade e ele lento pela bebedeira, consegui me desviar das mãos dele que iam direto para meu pescoço e caiu no chão, mas do mesmo modo animalesco, levantou-se e já pulou novamente pra cima de mim. Até que a voz grave de meu pai inrrompeu no salão e tudo parou, afinal, meu pai mal falava e quando falava todos ouviam:
– Que merda é essa?- a voz de meu pai era grave e calma da qual botava medo em seus homens e de vez em quando até a mim.
– Este seu filhote serviçal jogou uma bandeja cheia de boa cerveja em Huygar!- disse o próprio Huygar em tom de receio e desafio ao mesmo tempo.
– Isso é verdade Aelle?- perguntou meu pai naquele mesmo tom.
Fiz que sim com a cabeça, então uma voz conhecida, mas a muito tempo não ouvida, falou:
– Deixe então este serviçal encarar o próprio destino! Aonde já se viu um serviçal confrontar O Grande Huygar? Mesmo ele sendo um nepia de sangue bárbaro, acho que devia perder a vida pela canção da espadas!-disse Urmega.

Bom, o que meu pai dizia era lei, mas o que Urmega dizia, era uma lei além da lei do meu pai, então todos foram para o lado de fora, formaram uma roda e esperavam enquanto nos arrumavámos para a chamada canção das espadas, que era um duelo. Na canção da espada, ambos os combatentes deviam estar despidos até a cintura e era apenas aceito o uso de uma arma de duas mãos. Nos deram uma espada longa pra cada um. Eu não era tão habil com uma espada, como era com um machado, mas mesmo assim era treinado com espadas desde a menor idade. Quando vi Huygar sem camisa, percebi que foi um grande erro desafiá-lo, pois ele era puro músculo e cicatrizes. Uma espadada dele seria a morte ou um membro decepado, mas naquela noite eu senti o calor da batalha envolta dos meus braços, por mais que eu soubesse do risco, eu estava tranquilo e confiante e fiquei ainda mais confiante quando Ruygar disse:
– O Grande Ruygar prefere lutar com machados, quero cortar o pescoço desse boi como se fosse em um abatedouro!- ele se referia ao meu tamanho, pois nessa epoca eu tinha a estatura de um homem grande, mesmo tendo apenas 17 primaveras.
Nessa hora, eu fiz uma cara de espanto, o que levou ele a completar:
– E como eu sou o desafiante, exijo que ele use a mesma arma.
Os desafiantes escolhem a arma, Huygar era o desafiante, escolheu o machado e com ele uma morte rápida.

A luta teve seu inicio, Huygar me surpreendeu quando ficou parado ao invés de partir para cima de mim como de costume nas batalhas. Eu então comecei a andar na direção dele com o machado a frente e quando estava a distancia de uma mesa dele, ele com um movimento brusco chutou areia na direção do meu rosto e bateu do meu lado esquerdo violentamente com a parte chata do machado “essa é primeira lição sobre batalhas que eu te dou” gritou ele. Eu estava um pouco atordoado pelo forte golpe e tentei me levantar de modo que não ficasse exposto pra ele, porém mesmo bêbado ele sabia o que fazia, então quando eu consegui me apoiar para levantar, ele me deu uma rasteira “Essa é a segunda lição e pode ter certeza que a próxima e ultima será a morte!”. Eu cai de novo e ele começou a rir, da mesma forma que riu de mim a vida toda, então nisso, o calor da batalha entrou em meu peito e logo explodiu, eu deitado mesmo virei o machado em direção as suas pernas, então ele por fração de segundos conseguiu colocar seu machado na frente e impediu que perdesse os próprios tornozelos, vi sua cara de espanto, mas logo em seguida virou uma expressão de desafio. De forma súbita eu me levante girando o machado em sua direção, ele aparou o golpe desajeitadamente e logo em seguida outro mais forte do que o primeiro e então a canção da espada começou, só que com machado. Lascas metal voavam em direções aleatórias, um machado beijava o outro e nisso ressoava um grande clangor, eu atacava freneticamente e ele aparava os golpes com a mesma selvageria, até que se recuperou e me fez fazer o mesmo que ele até então. Os golpes dele eram violentos e cheio de ira, por pouco eu não perco meu braço esquerdo, mas o calor da batalha estava emanando em mim, então eu ao invés de aparar o golpe, desviei dele, desequilibrando-o pra frente, Huygar de um modo rápido virou o machado para trás em minha direção e nisso recebeu areia nos olhos fazendo seu golpe perder totalmente o ímpeto, então com o “gancho” do machado eu puxei seu tornozelo e ele caiu bruscamente, nisso, por mais que ele não estava enchergando direito, vi em seu rosto algo diferente do velho Huygar, era o desespero. O machado subiu, o machado baixou, sangue foi jorrado, meu pai riu, homens urraram, outros praguejaram, um destes últimos tentou meu acertar com uma espada, mas de imediato foi morto, podia ter começado uma verdadeira confusão ali, mas Aeric, O Matador do Urso de Pergyr foi para o centro do circulo e disse:
– Hoje é o dia – começou ele calmamente e inexpressivo – de comemorarmos uma batalha modelo e a morte brava de um dos nossos – virou-se para um grupo de soldados – Vocês, queimem Huygar como um verdadeiro bárbaro e você – virou-se pra mim, neste momento eu achei que ele me elogiaria e que as coisas fossem mudar ali, porém – Vá dizer aos nepia que nos tragam mais cerveja – e foi pra dentro da tenda.

Foram 5 dias de festa e mais um para celebrar a morte de Huygar, cada dia que passava, mais odio eu tinha de meu pai, por quê meus irmãos que muitas vezes nada notável tinham feito, receberam honrarias e eu não?
Na ultima noite de comemorações, eu não fui ao salão, em vez disso fui treinar com o machado próximo a floresta. Nisso os gêmeos Arnon e Argon apareceram, eu os ignorei e continuei meu treino e eles não fizeram menção para que eu parasse, só ficaram observando. Passado um tempo, eu já irritado perguntei a eles.
– O que pelo sete infernos vocês querem?
– Nosso querido pai foi injusto contigo – disse Argon – Lembra de quando Algurm tinha apenas 10 primaveras e matou seu primeiro homem? – continuei quieto – Papai lhe deu tropas e o tornou comandante… o mais novo comandante entre os irmãos.
– E quando Artyr matou um javali-gigante? – disse Arnon – Papai simplesmente o nomeou campeão para a próxima…
– Sejam diretos, aonde querem chegar com isso? – disse bruscamente.
– O explosivo Aelle…- disse Argon – Bom, sejamos diretos irmão, amanhã vamos voltar ao nosso acampamento na fronteira e precisamos de um guerreiro como você para a próxima batalha contra o clã dos Mok, vem conosco?

– Sabe que nosso pai não ia deixar – respondi.

– Mas como é burro!- exclamou Arnon – Nunca passou pela sua cabeça que nosso pai quer que você aja como um bárbaro para que se torne um de fato?

– Um bárbaro de verdade vai atrás do que ele mesmo quer – respondeu Argon por eu ter ficado quieto.

Isso era verdade, em nosso povo nada se ganhava por extrema obediência e pelo ódio que estava do meu pai, perguntei:

– Ok, como faço pra ir com vocês?

– Sabia que você iria tomar a decisão correta irmão – Arnon disse – Portanto providenciamos um teste a você, para provar-se um bárbaro de verdade. Fique tranquilo, será fácil.

– Atrás da grande cabana dois de nossos homens está a sua espera, só para se assegurar de que tudo dê certo – após uma pausa, Argon prosseguiu – lá atrás tem uma abertura que dará direto para os pertences do papai.

– O que queremos que você nos dê em forma de gratidão pelo favor que estamos te fazendo – disse Arnon – é que pegue o machado de guerra do papai e dê a nós.

– Isso é roubo!- exclamei – Nada digno de um bárbaro.

– E é digno o que nosso pai vem fazendo com você – Argon respondeu – Veja bem, um bárbaro pega o que ele quer, se você quer lutar conosco na próxima primavera, vá lá e pegue.

Eu tinha consciência de que estava fazendo uma burrice, mas a raiva ofuscou a consciência, então eu fiz. Chegando lá, os dois soldados me ajudaram a entrar na grande barraca, porém quando saí chegaram guardas do meu pai, eram 5, mas estes cinco não tiveram chance contra os dois soldados bem treinados de meus irmão, então tudo aconteceu rápido. Toda a festa foi para fora ver o que havia acontecido e de súbito os dois soldados me agarraram pelo braço, cada um de um lado. E a voz grave e tranquila de meu pai pergunta:

– O que está acontecendo aqui?

– Estávamos bebendo aqui fora com nossos soldados e ouvimos a luta, quando chegamos era tarde demais, Aelle já havia matado seus guardas, pois pelo que parece, estava roubando seu machado de guerra – disse Argon com um sorriso nos olhos olhando para mim.

– Você roubou este machado Aelle? – perguntou meu pai, ainda inexpressível.

– Sim – respondi.

– Como sabe, um ladrão em minhas terras merece a morte e não interessa se é meu filho, então sejamos práticos – virou-se para um dos guardas que estavam me segurando e disse – me dê aqui meu machado que eu mesmo vou cuidar disso.

Um dos soldados levou o machado até ele, enquanto o outro me segurava, meu pai já vinha em minha direção até que.

– O senhor está certo em condenar um ladrão a morte, porém este mesmo ladrão matou 5 de seus melhores homens, portanto conquistou o machado pelo preço da lâmina, logo é bárbaro e não um simples ladrão, então a morte não deve ser a pena dele – disse Urmega.
– Ora Urmega! – nesse momento o tom de voz de meu pai não era mais inexpressível- Qual a solução então? Fala rápido!.

– Ora, a solução mais vergonhosa que existe! O banimento de Pergyr, eu mesmo posso cuidar de vendê-lo a algum escraviário qualquer que o leve para além do mar de Melora.

-Em nome do sangue dos 4 reis que corre em minhas veias, eu o bano como meu filho e como filho de Pergyr e de agora para sempre, seu nome será Aelle ap Lloegyr.

Depois disso, Urmega cumpre o combinado, eu mesmo não tentei resistir, estava constrangido por tudo o que havia acontecido e como havia aocntecido. Então, Urmega dá peças de ouro suficientes para que um escraviário me levasse para longe e antes de me despachar, me diz “Aelle, quando seu pai morrer, você deve voltar, pois você ainda tem uma missão importante para com Pergyr”.

E essa foi a ultima vez que o vi.

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