O Ressurgimento do Eterno – Crônicas de Tarak – Parte II

Crônicas de Tarak – Parte II

 

Nossas sessões de jogo, relatadas pelos jogadores, romanceadas na visão de seus personagens.

 

Na saída de águas profundas, encontramos o homem que libertamos, ele chega sozinho, puxando um cavalo pelas rédeas. Aparentemente, o homem das vestes carmim e seu amigo se perderam na saída da taverna. Nós deveríamos ir atrás deles, podem ter sido presos ou coisa pior. Mas temos uma missão mais urgente: Levar justiça ao homem que havia escravizado aquelas pessoas, inclusive o gigante Aelle que agora se juntava ao nosso grupo tão insólito.

Aparentemente, ele estava pedindo dinheiro para nos acompanhar!! Não entendo isso. O homem havia sido escravizado, arrancado de sua terra e trazido a uma terra estranha. Tem a chance de buscar justiça e vingança e sem honra alguma se porta como mercenário? Começo a achar que fui precipitado ao me unir a esse grupo. Não conheço suas motivações e nem como vêem o mundo. Não sei por quanto tempo nossos caminhos trilharão a mesma estrada, e nem sei que perigos oferecerão caso venhamos a divergir.

Mas por ora, não importando as nossas motivações, seguimos viagem em direção a Águas Ruidosas. Lá, haveríamos de encontrar quem quer que tivesse unido esse grupo tão diferente em torno de um objetivo comum. E ele teria se arrependido desse dia!

Tomo III

A viagem foi monótona em seu começo, o que é uma coisa boa. Aquela estrada era muito deserta, carecia de conservação. Imagino para onde estaria indo o dinheiro dos impostos que os cidadãos da cidade são forçados a dar, mesmo faltando comida em suas mesas, sob a promessa de terem ordem social e uma estrutura básica. Quando vejo as estradas assim, abandonadas, vejo o porquê de pessoas como eu existirmos.

Eldeth parece ser uma boa pessoa. Falava sempre sobre conhecer o mundo e como arranjava meio-empregos para se sustentar entre uma viagem e outra. Havia sido ajudante de um ferreiro ao sul, e antes disso, vigia de um entreposto comercial e guarda-costas em uma caravana de halflings. Por coincidência estava há poucas semanas como guarda em Águas Profundas quando nos conhecemos. Ele não parece estar chateado por ter sido forçado a sair da cidade, imagino que já estava pensando em se aventurar novamente. Um espírito livre, afinal. Um bom lutador, desperdiçado sem um ideal, vivendo um dia após o outro. Deve ser uma boa vida, livre das responsabilidades, mas há muito tempo é a vida de que abri mão, ao escolher a lâmina, o sangue  e a justiça através da morte como um caminho de vida.

Alekc cresceu em um mosteiro de Bahamut. Durante a caminhada, falou da rotina dos monges e clérigos com quem cresceu, das crenças das pessoas com quem conviveu e outras frivolidades pouco práticas. É um homem autêntico e de estranhos hábitos, difícil dizer quais deles são imposições de sua crença e quais vêm simplesmente de sua natureza. Mas mesmo sob essa aparência desleixada e de postura típica do maniqueísmo sob os qual os religiosos vivem, eu reconheço um homem de propósitos. Ele quer fazer algo da sua vida e quer fazer a diferença para as pessoas. Escolhemos caminhos diferentes, mas sob esse prisma somos irmãos em vontade.

O gigante que libertamos chama-se Aelle, e é arisco como um gato selvagem. Em três dias, comentou somente ter sido rei em suas terras, e nada mais disse que entendêssemos, pois misturava nosso idioma do oeste com alguma língua desconhecia. Alekc tem uma estranha simpatia por ele e, apesar de meus instintos me dizerem que é um homem perigoso, aceito o aval do religioso, por ora. Sabemos ser de longe, pelo sotaque, mas nada mais disse de si mesmo em todos esses dias. Entendo ele ser desconfiado, afinal, na sua visão, homens da nossa terra o puseram em correntes e pretendiam vendê-lo. É de certa forma justificável que ele não confie em nós, apesar de já termos mostrado a nossa intenção ao libertá-lo e estarmos indo lutar contra seus captores. Não sei o quanto ele entende disso, e sua postura desconfiada me mostra que ele é um poço de ressentimento e violência, esperando um alvo contra quem despejar sua fúria bárbara. Só espero que ele saiba destinar essa sede de sangue a quem realmente merecer, os déspotas e corruptos que trazem dor e miséria às pessoas. Do contrário, serei inimigo do homem a quem libertei.

A mulher, Alexiel, está bastante atormentada. Também luta com um propósito de um deus, mas ela é diferente. Tem razões pessoais e obscuras que não compartilha conosco. E, para uma defensora da vida, sacrificou um homem indefeso de forma simples e vazia. Mesmo um assassino treinado como eu entende que as mortes seguem a um propósito. Mas a vida q ela encomendou aos braços da ceifadora a nenhum propósito servia. Ela foi totalmente vazia de sentido, sendo que nem ameaça o homem era. Isso me faz questionar muito da saúde mental e espiritual de uma mulher que se identifica como campeã de deuses da justiça. E isso eu posso dizer melhor do que qualquer um desse grupo, pois sirvo a deuses que não vêem a morte como algo ruim, e abracei há tempos a magia das sombras. O mundo dos deuses é muito intenso para mentes despreparadas e manipular sua trama mágica é para poucos. Mentes frágeis desmoronam por incapacidade de lidar com esse mundo acima. Tenho receio de ver isso acontecer a esta mulher.

 

Tomo IV

Dizem que Tarak, o cobra, é um homem paranóico. Mas a paranóia me manteve vivo e decerto que, ao deixar de sê-lo, serei eu a ter a noite sem dia junto à Ceifadora. Várias coisas me incomodam nesse grupo. A maneira como o gigante olha a todos nós, como se a qualquer momento seu machado fosse vir de encontro aos nossos pescoços, o guarda que não fez objeção a ter seu capitão assassinado sem remorsos por uma campeã de deuses da luz, a própria paladina, que me parece uma mulher que passa mais tempo no mundo dos sonhos do que no mundo real, e visivelmente atormentada. E NINGUÉM, nesses 3 dias em que já caminhamos citou o fato de os outros dois acompanhantes de Alexiel não terem alcançado o ponto de encontro. Além de mim, ninguém se preocupa com o fato de não estarmos sendo seguidos, coisa que verifiquei várias vezes nesses últimos dias, ou mesmo questiona a principal rota comercial da cidade estar abandonada e deserta, sem nenhum outro grupo viajando além de nós, mesmos!

Ao terceiro dia, percebemos, vindo das árvores ao lado da estrada, um homem bem armado, movendo-se com a agilidade costumaz dos elfos, em nossa direção. A primeira reação de Aelle é brandir seu machado em direção ao homem, ao passo em que é contido por Alekc. É interessante observar a simbiose desenvolvida entre os dois. Alekc é o único a quem Aelle escuta sem resmungar grunhidos em sua língua, e Aelle é fruto de uma preocupação e carinho acima da média por parte de Alekc, o que a cada dia fica mais evidente.

O elfo pede ajuda, dizia ser o defensor de uma pequena vila, mas que enquanto ele caçava, sua vila havia sido atacadas e inteiramente destruída. Crianças e mulheres haviam sido mortos, e muitos homens desaparecidos. Novamente, eu vejo que falta discernimento e percepção a esse grupo. Como ninguém havia percebido que caçávamos os mesmos inimigos? Se há alguém em uma empreita que demanda exploração e trabalho escravo, ele está comprando escravos enquanto tiver recursos. O próximo estágio seria ele mesmo escravizar pessoas, atacando a essa vila. Nosso inimigo se mostra mais cruel a cada dia! Aelle rejeita minha teoria, dizendo que ela é muito complexa para ele, e diz ao estranho que o ajudará se ele tiver ouro. Para alguém que diz ter sangue de reis, viver como um machado de aluguel me faz pensar que tipo de líder seu clã era para seu povo…

O elfo, como homem desesperado que era, disse que daria todo o seu ouro para ter a nossa ajuda, o que tranqüilizou o gigante, e passou a seguir conosco. “uma vila inteira dizimada por kobolds”… eu não teria acreditado nessa história se não fosse o fato de os homens terem sumido, o que mostra que estamos perto. Unidos por um inimigo comum, Alekc convenceu o homem a se juntar a nós em nossa ida a Águas ruidosas.

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