O Ressurgimento do Eterno – Crônicas de Tarak – Parte III

Crônicas de Tarak – Parte III

Nossas sessões de jogo, relatadas pelos jogadores, romanceadas na visão de seus personagens.

Tomo V

A viagem que parecia tranqüila por dias. Caminhávamos alternando pequenas conversas com alguns momentos de silêncio. A impaciência de Aelle, o olhar desconfiado de Aleck e as passadas rápidas e despreocupadas de Eldeth para acompanhar aqueles de pernas mais compridas pareciam o ponto alto da conversa do grupo. Por diversas vezes pedia para pararmos, enquanto buscava algum ponto mais alto e nos certificar de que não éramos seguidos desde que saímos de Águas Profundas. Isto mudou quando encontramos o elfo. Cansado e nervoso, ele ainda caminhava à nossa frente com a altivez típica de sua raça, e era difícil acompanhá-lo.

Ele pára de repente, pede silêncio e aponta para uma rocha que margeava a estrada. Com a indicação de seus olhos sagazes, eu noto uma pequena sombra. Algo espreitava por detrás da rocha, decerto que imaginando uma emboscada contra os incautos. A conversa terá que ficar para outro momento, aqui somos chamados à ação!

A luta é rápida. Menos de uma dúzia desses reptilianos de pouca inteligência não fariam frente a um grupo tão perigoso. Apesar do ímpeto de sangue dos meus colegas, consegui evitar que um deles fosse morto. Mortos não falam, e temos muito para ouvir. Quem havia encomendado os escravos, dentre eles o nosso gigante Aelle? Por que a estrada estava tão deserta? Quem havia atacado a aldeia que o Elfo falhou em proteger? Para que se precisa de tantos escravos, alguns comprados com enormes quantias em ouro?

Não importa o quanto isso custe das nossas almas, esse pequeno escamoso precisa falar! Eu sabia o que precisava ser feito. Já torturei antes. Já fui torturado antes. Conheço os caminhos da dor. Eu faço o que precisa ser feito, e não me preocupo com o que será feito da minha alma por seguir o que acredito. Existe um mundo que precisa ser protegido, e qualquer preço por isso é um preço pequeno. Mas não sei se Aleck com todo o seu moralismo ou Alexiel com sua inocência entenderão o que precisa ser feito.

O Elfo e eu seguramos um sobrevivente. Estava melhor equipado, aparentava ser o líder da equipe. Este teria mais informações. Para minha sorte, Alexiel estava em um devaneio depressivo. Afastou-se de nós e foi para o meio do mato buscar o seu cavalo, que havia fugido. Aleck, para minha surpresa, entendeu o que fazíamos e não fez nenhuma objeção a todo o sangue que espalhávamos. Descobrimos três coisas importantes: Eles estavam lá para interceptar a caravana de escravos, que não sabiam ter sido desfeita por nós há alguns dias. Outra, que eles eram chefiados por um líder tribal, um tipo de Goblin gigante chamado de dentes-de-ferro. E o mais importante: sabemos onde se reúne o bando, quando o amedrontado lagarto nos informa onde fica a cachoeira em cuja caverna secreta eles se escondem.

Queimamos os corpos, por uma questão de higiene e de prevenção, evitaríamos assim que os demais integrantes do bando os localizassem. E seguimos para a cidade. O Elfo não nos acompanhou, disse que iria buscar outros rastros, e talvez sobreviventes de sua cidade. Ele havia falhado na missão dele, e este é um fantasma que atormenta os homens até o fim de seus dias.

Tomo VI

Chegamos a Águas Ruidosas, não sem antes encontrar no nosso caminho mais sinais de caravanas atacadas e gente desaparecida. Somente que nós tenhamos participado, foram 3 ações. É impossível não haver conexão. Há quanto tempo esses monstros estão agindo e fazendo mal a inocentes? Que força dominadora está oprimindo essa região? Se este grupo de personalidades tão diversas não destruir a si mesmo, encontraremos essas respostas. Talvez aqui em Águas Ruidosas.

A cidade é pequena, uma estrebaria, um pequeno e abandonado posto de guarda, casas de pedra e madeira, e um casarão de pedra na parte alta, onde não chegamos. A única construção de 2 andares na região central é uma estalagem, onde obviamente esperamos encontrar os habitantes mais falantes e também descobrir um pouco mais sobre essa trama.

Aelle mais uma vez resmunga algo que não entendemos e vai ao balcão do salão que fica no térreo. Pede comida e bebida e começa mais uma vez a se empaturrar como faz sempre que tem oportunidade. O próximo passo é pedir ouro para alguém, e é certo que ele o fará antes do cair da noite. Além do balcão, algumas poucas mesas e bem ao centro, 2 senhores conversam. Aponto uma mesa para o grupo e nos sentamos lá. Obviamente, escolhi um lugar sem janela próxima, com visão da porta e de todo o salão. Há algo estranho nessa cidade e ainda não sabemos o que é e todo o cuidado é pouco em terras estranhas. Aleck e Alexiel vão, a meu pedido, conversar com os senhores à mesa. Eles podem nos explicar o porquê dos ataques, do abandono da estrada ou mesmo do paradeiro de Devon, o arqueólogo desaparecido que eles estão buscando. Não sou sociável e dado a estas interações públicas. Então é melhor que eles o façam por mim, usando as credenciais das igrejas a que servem.

Quando voltam, Aleck caminha até Aelle e lhe dá mais ouro – pronto, a noite do gigante está completa – e, ao retornar à mesa, me conta que estes ataques ocorrem há meses e que Devon inclusive, era um bom amigo, agora desaparecido. Ele havia sido visto pela última vez em escavações arqueológicas próximas, o que nos deixa com 2 lugares para investigarmos amanhã.

Então, eu a noto. Uma elfa que, assim como eu, escolheu no salão uma mesa de onde poderia ver sem ser vista. Ela está ali somente observando, enquanto toma uma caneca de vinho. Não porta armas, o que é uma estranha segurança para uma mulher sitiada em região hostil, e também não conversa com os demais. Eu noto isso e peço ao Aleck que verifique com os velhos se eles sabem quem ela é, ou há quanto tempo está na cidade. Quando ele me conta que ela está desde o início dos ataques, minha dúvida paranóica se torna uma certeza. Ela está de alguma forma envolvida com os kobolds, os escravagistas, o dentes-de-ferro e quem quer que sejam as forças opressoras por trás dele.

Alleck vai conversar com ela e nada obtém. Definitivamente, um bom coração, mas não entende de fazer o que tem que ser feito. Eu estou pensando em como agir sem chamar atenção das autoridades, mas de alguma forma fazer esta mulher falar, quando Alexiel começa a passar muito mal e a levamos para seu quarto alugado ali. Cheirei sua bebida, não havia traços de veneno nela, e Aleck me diz que ela sofre de remorsos pela sua conduta violenta, o que me mostra que realmente essa menina não conhece nada do mundo.

Infelizmente a preocupação com Alexiel foi fundamental como distração. Quando voltei ao salão, a elfa de cabelos vermelhos havia sumido. Nossa única pista tinha esfriado.  Nada mais faríamos naquela noite e tratamos de dormir. Não me agradava dormir onde nossos inimigos sabiam que estaríamos, sem nem ao menos saber quem eles são. Saí da taverna, fui me ocultar na estrebaria e dormir nos montes de palha. O que não tinha de conforto, tinha de discrição.

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