O Ressurgimento do Eterno – Relatos de Eldeth – parte 0

Meu primeiro post! Demorou mas saiu a história de Eldeth. Ele é um senhor da guerra anão que tem como objetivo vingar seu clã, mas antes tem de descobrí-lo! Espero que gostem. ^^

Nossas sessões de jogo, relatadas pelos jogadores, romanceadas na visão de seus personagens.

Antes da história de Eldeth, tenho que contar a história de seu clã, ou melhor, seu antigo clã. Os Battlehammer, como eram chamados antigamente, eram uma família anã das terras do norte. Apesar do clima frio, os anões dessa região viviam no calor de suas fornalhas sempre acesas e suas escavações na rocha ígnea em busca de minerais diversos. Quando seu então líder, Cael Hammerforger, venceu o dragão Nidhogg usando apenas seu martelo incandescente da lava ao redor, o clã o homenageou com um novo sobrenome que se tornaria o novo nome do clã: Moltenhammer, mas isso fica para outra história. Com o tempo, anos depois da morte de Cael, seus filhos e netos, o clã Moltenhammer ganhou seu nome e prestígio, por forjar os melhores martelos e por ter os melhores anões para brandí-los. Outros clãs acabaram se fundindo a ele, de modo que os Moltenhammer se tornaram o maior clã anão das terras do norte. A mãe e o pai de Eldeth eram descendentes de famílias diferentes do clã. Ele um anão guerreiro filho de vendedores e ela uma forjadora e mãe de família. Se conheceram e logo se apaixonaram e casaram. Viviam uma vida feliz e normal até que tudo aconteceu.

Beran, o pai de Eldeth, trabalhava na guarda da cidade de Bronzeforge por um salário que os mantinha com um padrão de vida razoável. Era conhecido pelo seu martelo vermelho incandescente passado de geração a geração, ele recebera de seu pai, seu pai recebera de seu avô que recebera de seu bisavô e o resto é história. Conseguiu seu trabalho graças à seus dotes e a sua esposa Sisra, que pediu para seu pai, que era general da guarda do clã para conseguir um lugar bom e honrado para ele. Embora ele não gostasse nenhum pouco de Beran.

Durante seu trabalho na guarda da cidade, Beran encontrou evidências de que a guarda do clã estava metida em algo ilícito. O anão encontrara papéis de compras e pagamentos de pessoas não carimbados e escondidos em um entreposto de guarda. Curioso sobre isso, resolveu investigar. Porém, alguns dias depois recebeu a notícia de que sua mulher estava grávida e esqueceu sobre o assunto por alguns meses. Porém o destino prega peças nas melhores pessoas.

Cinco meses depois, Beran encontra mais evidências, dessa vez notas de mais dinheiro e mais recentes. Uma de apenas dias atrás! O soldado começou a perguntar para todos que estavam lá se sabiam sobre alguma caravana ou coisa do tipo que havia passado. Todos só lhe deram respostas que ele já sabia: mercadores de suprimentos, armas e armaduras fazendo suas rondas de sempre. Mas um deles disse que durante a noite uma pequena caravana entrou sem ser anunciada pelos portões traseiros, desembarcou uma caixa grande coberta por um pano e foi embora. O anão que a recebeu saíra de manhã bem cedo em uma carruagem simples e sem guardas. Curioso, mas ainda querendo manter seu emprego, Beran guardou a ideia de sair em perseguição de algo que podia ser apenas uma pedra gigante.

Na sua patrulha matinal do dia seguinte, Beran encontrou destroços de uma carroça, pedaços de madeira quebrados e uma trilha de lascas mostrando que uma caixa de madeira grande fora arrastada para leste. Era a carroça do dia retrasado! Com ninguém por perto, o anão seguiu os rastros até uma caverna no pé da montanha que servia de casa principal para o clã. Se embrenhando em túneis longos e sinuosos, Beran andou pelo que pareciam horas até chegar ao fim do túnel que ficava acima de uma abertura do tamanho de um salão grande com um pilar de lava cristalizada no centro. Aos pés do pilar estavam uma dezena de figuras baixas encapuzadas, algumas corpulentas e outras magras, todas rodeando uma pilha de ossos enormes. De lado a caixa enorme estava aberto e mais um osso gigantesco era levado para o meio da roda. O ruim? Era um crânio. O pior ainda? Era de um dragão. Bem grande.

Apoiado em uma pilha de pedras que o escondia e vendo tudo aquilo, Beran nem percebeu o tempo passar. Quando deu por si o grupo estava cantando um hino de vitória em uma língua antiga e ríspida que parecia o rosnado de uma fera. Um membro do grupo que estava com uma capa vermelha se dirigiu ao centro da roda e retirou o capuz. Era Balnar, pai de sua mulher! “Bem-vindos amigos do culto à nosso deus dragão, Nidhogg!” – ao que os encapuzados responderam com um alto coro “Nidhogg! Nidhogg!” – “Hoje estamos mais próximos que nos últimos séculos de reviver nosso senhor! Deixo vocês agora com as palavras dele.”. Seus olhos se fecharam e voltaram a se abrir completamente brancos e brilhantes. Quando sua boca se abriu uma voz gutural de um ser mais antigo que a terra falou: “Servos mortais! Enfim sinto meus poderes se tornando maiores! Suas recompensas serão grandes quando eu me levantar de meu túmulo! E ainda maiores para aquele que pegar aquele intruso!”

“Barzul!”, pensou Beran, haviam descoberto sua presença ali. De jeito algum conseguiria vencê-los somente com a força. Mas também não chegaria longe pelos túneis e de qualquer jeito eles provavelmente chegariam primeiro a saída. Pensando o mais rápido que já pensara em sua vida, o guarda imaginou diversos planos, mas nenhum com alguma chance. A menos que… Usando toda sua força, Beran alavancou as pedras com seu martelo, derrubando-as a frente dele e acertando a maior parte dos encapuzados. Com um salto caiu em cima de um deles que ainda estava em pé, partindo-lhe o crânio em vários pedaços. Brandindo seu malho, acabou com mais uma meia dúzia de cultistas. Os que sobraram correram e se esconderam. Menos um.

Balnar já tinha voltado a si e olhava diretamente para seu genro. Seus olhos exibiam uma mistura de fúria e tristeza, revolta e ódio pelo guarda. “Maldito seja, plebeu! MALDITO SEJA! Estragou meus planos em anos com sua intromissão estúpida! E o que ganhou com isso? Nada! Nem sabe o que planejávamos. Mas você irá pagar. Ah se irá!”. Sacou seu machado das costas debaixo do manto e partiu para o ataque. O anão, mesmo sendo velho lutava com força e tenacidade absurdas. Beran suava para acompanha-lo e não conseguia tempo ou brecha para revidar. Machado e martelo se chocavam, cada vez mais fortes. Com um chute bem colocado em um momento de distração, Balnar o empurrou de encontro ao pilar central. Beran quase desmaiou quando acertou o pilar. Sua visão se turvou e quase se apagou com o inimigo se aproximando. Era o fim, ele não tinha mais forças para lutar. Seu corpo estava rijo de dor e da cota de malha. Seu braço esquerdo estava quebrado do impacto e seu braço direito estava pesado com o martelo. Ou não, subitamente o martelo parecia não ter peso na sua mão. A adrenalina de perder a herança de família fez com que ele abrisse os olhos e novo. Momentos antes do machado descer sobre sua cabeça, reparou que o martelo em sua mão brilhava como se estivesse em brasa, mas não queimava sua mão. Será? Não tinha tempo para pensar nisso. Rapidamente, com a força que lhe restava levantou o martelo de encontro ao machado. Com um estrondo de metal contra metal, as armas se chocaram e o machado cedeu. Sua lâmina voou em estilhaços pela sala, desarmando Balnar e o jogando longe. Beran levantou-se, fraco e sangrando, mas ia viver. Se arrastou até seu oponente caído e viu que ele tinha pouco tempo de vida. “Você deveria ter morrido, maldito.” – disse o anão caído – “Não esperava que você tivesse o martelo das lendas. Mas não se preocupe, existem pessoas mais fortes e influentes que eu que vão cuidar disso.” – e, com uma última tossida de sangue, morreu.

O pai de Eldeth sabia que tinha pouco tempo para sair dali, logo a guarda chegaria atraída pelo som da batalha e provavelmente por um dos lacaios que correra. Ninguém acreditaria nele, e os que acreditassem seriam silenciados pelos poderosos, então só lhe restava sair dali, das montanhas, daquela vida. Correu o mais rápido que podia até sua casa, com a ajuda de sua esposa colocou seu braço no lugar e fugiram de lá só com o que puderam pegar de imediato. A carruagem ia a toda velocidade pelas montanhas enquanto um Beran quase dormindo de tão cansado contava o que havia ocorrido para sua esposa. E que eles nunca poderiam voltar, pois o clã estava corrompido.

Cerca de quatro meses depois, já bem longe das montanhas, no deserto de Calim, a família Goodseller, sobrenome que adotaram para esconder suas origens por segurança, já tinha feito uma vivência simples vendendo e comprando em uma caravana itinerante na borda do deserto. Seus principais artigos eram armas, armaduras e outras ferrarias que Sisra confeccionava. Ao final do quarto mês, ela teve seu bebê. Um parto complicado, devido ao estresse de trabalhar e viajar com a caravana, e das condições precárias do lugar. O bebê e a então mãe conseguiram sobreviver e ela o nomeou Eldeth, em homenagem a um anão das histórias que sua mãe lhe contara quando criança. Porém o parto a deixou bem fraca, algo que só veio a perceber alguns dias depois. Ela começou a passar os dias na cama, só cuidando de seu bebê quando a energia a deixava. Cada dia se sentia mais fraca, mas ninguém sabia o que fazer para curá-la! Passaram por todas as cidades conhecidas e falaram com todos os mercadores, mas ninguém sabia o que fazer. Um mês depois, ela faleceu, muito fraca. Suas últimas palavras disseram ao marido para cuidar do filho e restaurar a glória antiga de seu clã.

Só tendo o pai para cria-lo, Eldeth cresceu muito independente e forte. Passava os dias brincando de luta, normalmente sozinho, pois as crianças em uma caravana eram raras. Aprendeu com seu pai a manejar um martelo e a lutar como um guerreiro Moltenhammer, sem nunca saber seu verdadeiro sobrenome. Por mais que Beran quisesse que seu filho retomasse a glória do clã tinha medo que ele fosse morto por isso. Ainda era só uma criança.

O tempo passou e Eldeth cresceu, se tornou um ótimo mercador e um excelente lutador de martelo. Seu pai ainda viajava com ele e já era um anão de idade avançada. Mas uma noite a caravana foi atacada subitamente por bandidos. Eles atacaram, pilharam e mataram cinco caravanas antes de chegarem aos Goodseller. Mas Beran acordou antes que eles pudessem fazer qualquer coisa. Lutou bravamente e matou boa parte dos invasores quando seu filho desceu para ajudá-lo. Juntos os anões fizeram com que os bandidos batessem em retirada. Já aliviados e indo de volta para dentro da sua carroça uma flecha corta o ar e se finca nas costas d Beran. O anão cai em seus joelhos, a visão ficando turva e seus sentidos se apagando. Agarrando o braço do filho que o segurava, balbuciou as palavras: “Vingue…Clã…Moltenh…er…” e caiu morto nos braços de Eldeth. O jovem anão não podia acreditar no que via. Seu pai morto por bandidos e uma missão mal contada para ele. Cremou seu pai no dia seguinte e durante um ano espalhou suas cinzas pelos lugares por onde andaram. Mais uma vez ele era um com a terra.

Eldeth herdou o martelo e a armadura de seu pai. E também uma missão. Não sabia direito qual ela era. Só sabia que seu sobrenome era diferente e, quando descobrisse qual era, deveria vingar esse clã. Seja lá do que fosse. Então Eldeth resolveu sair de sua vida de mercador e viajar o mundo, decidido a descobrir seu passado e pôr um fim na missão que seu pai lhe dera, de modo que Beran pudesse finalmente descansar em paz.

AnaoMiniatura

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