Aelle ap Lloegyr, Sessão 4.

Essa é a visão da personagem Aelle ap Lloegyr com relação as sessão 4 da campanha “O Ressurgimento do Eterno”.

Uma versão mais bárbara do Aelle.

Aquela foi uma noite difícil de dormir. Não querendo me gabar, mas poucas coisas no mundo me dão medo, aquele ser foi uma excessão. Porém, eu estava fatigado, então quando já estava amanhecendo, consegui dormir profundamente.
Ao acordar, me senti revigorado, meu medo se fundiu a vontade de lutar, pois é lutando que um guerreiro dispersa seus medos, ou ele luta ou ele morre, a vida fica simples, não há medo, misericórdia e outros sentimentos que enfraquecem o homem. Existe apenas a paixão, a fúria e o calor da batalha, esses sim são sentimentos que só tendem a fortalecer, mas não havia batalha a travar naquele momento, então esperei.
Enquanto pensava em tudo o que havia acontecido no dia anterior – pois as memorias da batalha ainda estavam turvas – eis que o anão desperta. Meus instintos me diziam que ele merecia acordar, afinal, os deuses da guerra sempre favorecem aqueles que batalham bem e o anão no dia anterior havia lutado como um verdadeiro bárbaro, tomando a frente da batalha intrepidamente,  enfim, lá estava ele, de olhos abertos. Ali meus medos se esvaíram e pela primeira vez, fiquei realmente feliz desde que saí de Pergyr, então acordei o padre para que este pudesse cuidar do anão recém revivido. Enquanto o padre cuidava do anão, decidi observar a cratera que havia sido aberta pela criatura, não havia nada lá além de um abismo sem fim, então quando me voltei para o grupo, me lembrei do orc traiçoeiro, pois o padre e a garota estavam ao redor de onde devia estar o corpo dele, porém apenas havia restos de roupa chamuscada e uma sombra. Eu nunca entendi a magia das sombras, apenas sabia que era algo traiçoeiro e essa coisa traiçoeira o consumiu. Perguntaram-me o que havia acontecido afinal, então de forma simples, respondi:

-Aquele orc traiçoeiro estava apenas esperando a hora de nos atacar, enquanto batalhávamos contra os inimigos, o sujeito usou de sua magia das sombras para estrangular o anão e puxá-lo barranco abaixo, então eu o matei.
Quando finalmente nos preparamos para a viagem de volta a cidade, decidi carregar o anão em meus ombros, como um campeão, afinal, nem todos os que lutam realmente bem em uma batalha, são favorecidos pelos deuses para vencer a morte. Durante o caminho, a garota e o padre, ambos seguidores divinos – de deuses estrangeiros – estavam falando sobre o milagre que havia acontecido e fora isso não falaram muito mais, mas eu tinha certeza de que estavam apenas remoendo seus pensamentos, para mais tarde ficarem horas e horas discutindo um assunto, como percebi que era habitual desse grupo. E eu estava certo.
Chegando na cidade, fui direto para a taverna junto do anão e o padre, enquanto a garota disse algo a respeito de poções de cura. Ao entrar, ouço uma voz alta dizendo:
– Taverneira! Traga mais cerveja para essas pessoas, pois hoje é um dia de celebração! – exclamou uma voz meio embriagada.
– Celebração ao que? – perguntou o anão.
– Dane-se, é cerveja! – disse eu.
O dono da voz era na verdade um garoto, porém diferente das pessoas locais. Ele trajava roupas parecidas com as de onde eu vim, mas tinha um sotaque e expressões diferentes das do meu povo, mesmo assim, de cara passei a gostar dele.
– A que estamos celebrando? – insistiu o anão.
– Ora! É um dia belo para celebrar um Volundheim!
– E o que é um VolundheimX? – perguntou o anão.
– É um rito de passagem, uma faze de transição para se tornar um homem! – disse o garoto e continuou – Devo sair por aí, conhecer o mundo, travar boas lutas e depois disso eu termino meu Volundheim! – disse ele com a caneca levantada e quando percebeu que ninguém respondeu a isso, prosseguiu – Inclusive, matei alguns homens-lagarto na estrada que vinha para cá com a ajuda de dois bravos guerreiros carmesim e agora estou a procura do líder deles!
– O Dente-de-ferro? – perguntei.
Sua expressão foi a de espanto quando percebeu que todos nós sabíamos do que se tratava e que sabiamos até mais do que ele, então a garota aparece, chega perto da mesa, fala com o anão e o padre sobre a tal poção e pergunta sobre o garoto.
– Olha, iremos atrás desse Dente-de-ferro, se quiser, pode vir conosco – falou o padre pela primeira vez.
– Ora então, vamos juntos atrás de Volundheim!
Nisso, a garota questiona o fato dele ser um estranho e mais uma discussão começa entre eles. Eu não entendo porquê esses estrangeiros gostam tanto de planejar e discutir, nenhum reino até onde eu sei foi erguido com base em palavras e sim por ações, quanto mais decidir se um novo soldado é útil ou não baseando-se no que ele diz, é preciso testá-lo. Mas eu aprendi a ignorar os meios-termos e opinar baseado na conclusão deles, então me concentrei na boa caneca de cerveja, quando o garoto se virou para mim e disse:
– Essa garota está com vocês?
Fiz que sim com a cabeça.
– E não trás má sorte?
– Olha, até agora não, mas ela não faz lá muita coisa – respondi.

Seguiram-se mais argumentos contra argumentos, falando sobre o tal garoto, na presença do garoto – como fazem comigo geralmente – até que concluíram deixá-lo vir conosco, o que gerou uma nova discussão e essa foi para onde devíamos ir primeiro, então, a cerveja virou minha aliada. Ah a cerveja, somente duas coisas são melhores do que ela, uma é uma anca larga de mulher entre suas mãos e a outra é uma boa batalha, logo em seguida vem a cerveja, a cerveja torna qualquer situação ruim – como a chatice que as palavras eram naquela época – em algo aceitável e dependendo de quão boa for, se torna boa, então eu estava feliz.

Após a discussão, decidiram então, ir atrás do Dente-de-ferro. Terminamos a bebida enquanto a garota e o anão foram atrás da tal poção. Comprei dois barris de cerveja – para garantir “melhores parceiros de viagem” – e segui os demais para a entrada da taverna.
Logo de cara, o anão chegou, puxou o padre de canto e ambos começaram a conversar em voz baixa. Segundos antes voltaram e sem rodeios perguntei:
– O que aconteceu?
– Não tem o porquê esconder isso – disse o padre em tom de cansaço – mataram o Eillian e deixaram uma mensagem.
– E o que tinha na mensagem? – perguntei.
– Eles querem que entreguemos você, por ter matado o Tarak – respondeu e continuou – disse também que eles estão nos observando.
Nesse momento, percebi que o garoto que havia se juntado a nós, por não entender a situação, perguntou o que estava acontecendo para a garota do cabelo azul, então brandi meu machado e gritei:
– SEJA QUEM FOR, VENHA AQUI E RESOLVEMOS ISSO COM A LÂMINA!
Nada aconteceu, então:
– Você matou um companheiro de armas? – perguntou o garoto – Não há Volundheim em matar um companheiro de armas.
– Ele não era um companheiro de armas, ele era um traidor que usava magia das sombras para matar – respondi.
Seguiu-se mais discussões a respeito disso e por inexorável que pareça, o garoto bateu o pé em defesa maldito do orc. Pensei por um momento que ele seria a tal pessoa que estava atrás de mim, afinal, ele não estava aqui quando partimos, mas não tive tempo de concluir meu raciocínio, pois algo familiar do orc aconteceu. A atmosfera ficou estranha, parecia que haviam muitos olhos ao nosso redor, as sombras mudaram de forma e se transformaram em quatro seres. Um deles, o que aparentava ser o líder então falou olhando fixamente em meus olhos:
– Viemos aqui atrás do homem que matou o Tarak para fazer justiça.
Eu disse que eram poucas as coisas que eu tinha medo, eu continuava não tendo medo daqueles sujeitos, mas alguma coisa dentro do meu ser, estava com muito medo, é uma sensação, eu não sei explicar. O medo é algo que nos faz sobreviver, mas eu não nasci para sobreviver e sim viver, então decidi confrontar o medo, afinal, eu tinha a tolice dos jovens, vontade de lutar e um machado. Então brandi o machado mais uma vez e andei na direção do sujeito calmamente, pois o sangue de Tempus e Garagos estava fluindo cada vez mais depressa em minhas veias.
– O homem que você procura, está aqui. – respondi.
E mais uma vez, algo inexplicável aconteceu, eu estava com a fúria dos deuses gritando dentro de mim, em uma situação em que nada me venceria em batalha, porém, o sujeito das sombras apenas levantou a mão e nada fez além de falar:
– Não viemos para lutar, viemos apenas para leva-lo a julgamento.
Com isso, a confusão começou a tomar conta de mim, não era a confusão da qual eu seguia, a que sempre me ajudou em horas difíceis  essa confusão tinha um outro nome, se chamava panico. O grupo começou a argumentar com os estranhos, eu não consegui prestar atenção ao que falavam, minhas respostas eram mecânicas, até que os estranhos se foram e como num piscar de olhos, tudo voltou ao normal.
O grupo continuou discutindo sobre o que fariam devido a este acontecimento.
– …mas ele disse que era só um julgamento – respondeu o garoto.
– Não é um julgamento, você mesmo ouviu, eles querem que paguemos da mesma forma que foi paga ao Tarak, com sangue – respondeu o padre.
– Mas se eles quisessem sangue, teriam lutado, querem apenas julga-lo – argumentou o garoto.
– O julgamento deles, pode não ser um julgamento convencional – respondeu o padre e se virou para mim – Você se arrepende de ter matado o Tarak.
– Nem um pouco – o que era verdade.
– Então não vamos te entregar.
– Nem eu – disse a garota do cabelo azul.
– Eu também não – falou o anão.
Eu não entendia o porquê essas pessoas estavam me defendendo, imagino que por elas serem boas talvez, mas até mesmo as pessoas mais bondosas que conheci, não se colocariam entre um estranho como eu – que nenhuma forma de lealdade revelei antes – e um grupo de matadores das sombras. Senti que naquele momento, algo me prendia aquele grupo. Esse foi um momento estranho, podia ser a confusão me guiando, o que eu aceitaria de bom grado, mas era mais propenso ser uma coisa que o meu povo odeia e não crê, uma coisa que define o ponto inicial e final de um homem, essa coisa se chama destino e eu não tive tempo para pensar a respeito, pois o garoto falou uma coisa que quebrou meus pensamentos.
– Isso não é justo, devia ter um julgamento.
Eu naturalmente teria lhe dado um bom cascudo, mas aliviado pela confusão tomar conta da situação novamente, lhe respondi.
– Garoto, você tem o coração muito mole para um guerreiro, a “vida” não é justa.
Ele procurou argumentos, começou a apresentá-los, mas eu já estava nem aí, a confusão mais uma vez estava comigo e eu queria apenas vê-lo em batalha, por isso esperei o grupo se mover e os segui.
Decidimos ir atrás do tal Dente-de-ferro, apesar de toda discussão. Horas depois caminhando, encontramos a cachoeira, avistamos por entre as arvores alguns kobolds, então como um só, o grupo foi se esgueirando para chegar mais perto para uma emboscada. Porém eu acabei tropeçando e a batalha começou antes do esperado, xinguei o acontecido e matei o primeiro inimigo do dia. Eu estava inspirado naquele dia, pois ao partir o primeiro inimigo ao meio, o sangue dos deuses da guerra pulsaram em mim, depois disso foram mais algumas machadas e mais alguns inimigos mortos.
Não perdemos tempo para entrar na cachoeira, onde seria o esconderijo do Dente-de-ferro. Antes de entrar, perguntei ao garoto:
– Quantos você matou garoto?
Para minha surpresa que havia matado três, ele respondeu.
– Três.
– Nada mau para um começo – respondi.
Ao entrarmos, nos deparamos com mais kobolds, kobolds que em poucos minutos morreram. Os dois mais próximos tiveram um destino cruel, eles estavam ambos lado a lado, o da direita encostado na parede, então ergui o macho para a esquerda e com toda a força o movi em direção ao kobold da esquerda, o que fez meu machado atravessar o crânio do primeiro e cravar o crânio do segundo contra a parede. Corri mais a frente para o próximo, então o garoto passa em minha frente e grita:

-Este é meu!

O que o faz errar o golpe de uma forma engraçada, ele levanta seu martelo e quando o baixa, escapa de sua mão e voa longe. Neste momento eu ri desconcertadamente e baixei meu machado contra o kobold que mau entendia a situação, este morreu e fui para cima dos outros, mas antes apoiei minha mão no ombro do garoto e falei:

-Não, este é meu.

Então voltei para a batalha de uma forma animada, este era o frenesis da batalha, mais dois inimigos caíram pelo meu machado, até que recebo uma grande pancada nas costas. Por surpresa, simplesmente viro meu machado na direção do atacante de forma selvagem, tento-lhe desferir dois golpes, mas este para meu espanto, se esquiva. Sem entender o inimigo ao qual estava lutando, automaticamente recuo, o que dá a oportunidade deste me atacar de novo. Quando consigo finalmente ver do que se trata, era tarde demais. Um goblin robusto e maior do que o normal, trajando cota de malha, vem em minha direção brandindo dois machados, um deles me acerta e eu caio.

Percebo que uma paz flui entre as feridas causadas por aquele goblin, a mesma paz que senti ao padre tratar de meus ferimentos dias antes, então subitamente desperto, me levanto, inspiro profundamente e volto para a batalha. Quando voltei ao inimigo, tive mais cautela, percebi que este estava com foco total na garota de cabelos azuis e neste momento percebi que ela era uma guerreira de verdade afinal, pois aguentou golpes frenéticos daquela criatura mortífera, ora com graça, ora com desequilíbrio, mas aguentou. Então aproveitei a situação para atacar a criatura pelo flanco. Este realmente era um inimigo para se recordar, ele lutava contra cinco e mesmo assim mantinha o ritmo e atacava com selvageria, mas seus sentidos pouco a pouco começaram a falhar, então não conseguindo mais se defender, um raio vindo do martelo do garoto-guerreiro matou o Dente-de-ferro.
É estranho como até os mais fortes caem num piscar de olhos, então desde aquele dia, decidi que um lobo não sobrevive sem uma matilha e na minha matilha havia um bom padre, um anão com sangue de guerreiro, um bravo garoto e uma garota dedicada na sua função.

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